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terça-feira, 6 de março de 2012

À procura de uma cura para o alcoolismo...ainda!

A empresa farmacêutica dinamarquesa Lundbeck mostrou ontem os resultados dos ensaios realizados com um potencial "blockbuster", o medicamento nalmefeno, que serve para o tratamento do alcoolismo, porque elimina, no cérebro, a sensação de prazer que o álcool provoca.

 Os resultados mostrados foram muito bons: 66% de taxa de redução de consumo de álcool!

 

No entanto,parece que o placebo apresentou resultados desconcertantes: em 3 ensaios de fase III (segurança e eficácia num grande número de doentes), o medicamento foi dado a grandes alcoólicos, assim como recomendações sobre os hábitos de consumo. Num dos estudo, depois de 6 meses a redução dos dias em que bebiam muito álcool diminuíram de 19 para 7, mas, no caso do placebo (medicamento sem princípio-activo) a diminuição foi de 50%. Os dados dos outros estudos são ainda menos convincentes.


 Obviamente, a empresa afirma que o Selincro (nome comercial do medicamento) tem o potencial de transformar a maneira como a dependência do álcool é entendida, tanto pelo doente como pelo médico.

O futuro financeiro do medicamento está em jogo e logo a sua colocação no mercado. Falta apresentar mais dados...esperamos ansiosamente.

Entre todos os medicamentos que se mostraram como promessas no tratamento de diferentes doenças, em todo o tempo, pouco sobreviveram às expectativas.

 Muitos doentes e suas famílias estão à espera de um como este...será que funciona?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Piolhos: pensava que já não existiam?



Piolhos

Atacam de preferência as crianças, mas ninguém está a salvo de ser infestado por este parasita, que se instala no couro cabeludo e se alimenta do sangue humano.

Os piolhos causam comichão devido aos seus detritos, que provocam alergias no couro cabeludo, e feridas pelas suas picadas, mas por vezes são “silenciosos” e quando se detectam já existem há muito tempo e estão muito disseminados. Os ovos dos piolhos eclodem ao fim de 7 dias, o que significa que se multiplicam com grande rapidez, daí ser muito importante matar não só os piolhos como as lendêas (ovos dos piolhos). As lêndeas têm uma cor esbranquiçada, pelo que são normalmente as primeiras a ser detectadas, mas infelizmente são muitas vezes confundidads com caspa, o que atrasa o início do tratamento.

Contrariamente ao que é normal pensar, os piolhos não saltam, nem voam, daí que o seu contágio só se dá por contacto direto: encostar as cabeças, usar os mesmos chapéus, enfeites do cabelo, escovas ou toalhas, dormir na mesma cama, partilhar o mesmo sofá ou almofadas.

Depois de se detetarem, deve-se passar ao tratamento o mais depressa possível: champôs ou loções desinfestantes e lavar os lençois, almofadas e chapéus a temperaturas altas (mínimo 60ºC), são os meios de acabar com estes parasitas. Apesar de a Organização Mundial de Saúde não sugerir que as crianças fiquem em casa até estarem livres dos piolhos, é de bom senso acabar com a infestação antes de enviar as crianças de novo para a escola, de modo a evitar recontaminações.

Os piolhos não escolhem cabeças sujas ou com um sangue “especial”, podem aparecer a qualquer um, e se tem filhos em idade escolar, faça uma revisão regular à cabeça da criança (semanal) de modo a poder eliminar a infestação o mais cedo possivel, caso ela aconteça. 

in "O Paionense", Novembro 2011

quinta-feira, 1 de março de 2012

Cirrose Hepática


A cirrose é uma doença caracterizada pela destruição do fígado, passando a existir tecido cicatricial envolvendo o tecido normal. É o abuso do álcool que leva mais frequentemente à cirrose, mas doenças, como as hepatites víricas crónicas, também podem levar ao seu aparecimento. 

O tecido cicatricial impede o fígado de funcionar normalmente e obstruí o fluxo sanguíneo ao nível da veia (veia porta) que transporta o sangue do intestino ao fígado, que pode levar à hipertensão.

Muitas pessoas têm cirroses de menor gravidade e podem viver anos sem sintomas. Quando a cirrose é grave, os doentes sentem fraqueza e perda de apetite, há perda de peso e aumento de volume abdominal. Se os canais da vesícula biliar estiverem obstruídos, desenvolve-se icterícia (cor amarelada da pele). Como os sais biliares são produzidos em pouca quantidade, não há uma correcta absorção de gorduras e por conseguinte de vitaminas lipossoluveis. Daí haver uma desnutrição para a qual também concorre a falta de apetite.

Outros efeitos da cirrose são atrofia muscular, derrames visíveis na pele, aumento da glândulas salivares, crescimento das mamas e redução do testículos, ambos no caso do homem.


Como já dissemos, a cirrose pode provocar hipertensão que leva à formação de varises esofágicas, que quando sagram dão origem a vómitos de sangue. Esta hipertensão ao nível da veia porta, associada ao mau funcionamento do fígado provocam a acumulação de líquidos no abdómen.

A cirrose não tem tratamento nem cura e é uma doença normalmente progressiva (se for detectada precocemente e o álcool for retirado da dieta é possível parar a progressão, mas o tecido anormal não deixa de existir).

Devido à deficiente absorção de vitaminas lipossoluveis os doentes cirróticos devem tomar vitaminas. Qualquer medicamento que seja metabolizado no fígado deve ser tomado em doses mais baixas e devido à hipertensão deve evitar-se a ingestão de sal.

Felizmente, a medicina permite uma opção: o transplante de fígado. Esta é a única intervenção que pode dar ao doente com uma cirrose avançada vários anos com qualidade de vida.

in "O Paionense", Fevereiro 2012